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domingo, 15 de novembro de 2009

DOPING NO ESPORTE: TIPOS DE DROGAS MAIS USADAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS FISIOLÓGICAS

O aumento da competitividade em várias especialidades de esporte nos últimos anos tem proporcionado aos atletas a busca por outros recursos para aumentar seu rendimento como procedimentos nutricionais, mecânicos, psicológicos e farmacológicos (LIMA, 2003).

Dentre os procedimentos farmacológicos encontramos algumas substâncias caracterizadas como drogas. E estas substâncias são consideradas pelo COI (Comitê olímpico Internacional) como dopantes. Entre as mais usadas temos alguns grupos:

-Estimulantes: Neste grupo temos as Anfetaminas, que já foram as drogas mais utilizadas, mas perderam esta posição por serem facilmente detectadas atualmente. Elas são usadas para aumentar o estado de alerta e agressividade, suportar a fadiga e diminuir o apetite facilitando a perda de peso. Seu uso causa excitabilidade, insônia, taquicardia, depressão, prejuízo na percepção de calor, do esforço e do rendimento real, o que leva a um aumento do otimismo e ultrapassagem dos limites físicos, pois o atleta pode continuar competindo mesmo na presença de dor e lesão (op. cit.).

-Agentes anabólicos: Os anabolizantes são as drogas mais usadas no esporte moderno. Seus efeitos são aumento da força e hipertrofia muscular. São usadas por atletas que buscam melhorar seu rendimento em esportes com estas necessidades. As conseqüências de seu uso são alterações na função sexual, distúrbios hepáticos e cardíacos e aumento da agressividade. Em mulheres ainda pode ocorrer um processo de virilização ou acentuação de características masculinas (op. cit.).

-Diuréticos: São usadas para perda de água e peso, visando atingir a categoria de peso necessária em diversos esportes. São utilizadas também para acelerar a eliminação de resíduos de diversas drogas e superar a retenção de líquidos causadas pelos esteróides anabólicos. Seu uso causa desequilíbrios eletrolíticos, arritmias cardíacas e prejuízo no sistema de termoregulação (op. cit.).

-Analgésicos Narcóticos: Neste grupo encontramos a Diamorfina (heroína) e a Metadona, que são drogas utilizadas pelos atletas com o objetivo de continuar competindo após lesão, tirando a sensibilidade da dor. Seu uso pode levar à dependência tanto física quanto psicológica, depressão, náusea, vômitos e diarréia (op. cit.).

Cabe ao psicólogo do esporte fazer um acompanhamento dos atletas visando um esclarecimento quanto ao perigo do uso de drogas como também buscar formas de intervir quanto à situação que o levou ao seu uso. Bem como uma conscientização desde as categorias de base.

A PSICOLOGIA DO ESPORTE NO FUTEBOL BRASILEIRO

A importância do futebol vai muito além de um simples esporte, o futebol tem se transformado em um negócio que movimenta uma quantidade enorme de dinheiro. Com uma forte pressão, vinda de todas as partes, familiares, patrocinadores, torcida, companheiros, dirigentes, treinadores e mídia, com isso faz-se necessário um preparação psicológica e não só técnica e física (PAULI e MACHADO, 2005).

O processo de treinamento esportivo, que inclui longas horas de treinamento com grande desgaste orgânico, visando aprimorar o condicionamento físico, técnico, tático da performance, porém os resultados de todo o trabalho dependem muito e diretamente da condição psicológica dos atletas. Por isso a necessidade de uma preparação psicológica (op. cit.).

Sabemos que a realidade financeira dos clubes de futebol em nosso país não é das melhores e a maioria deles se encontra mergulhada em dívidas. Assim, a necessidade de cortar gastos é inevitável e, como a psicologia é encarada como algo importante, mas não imprescindível e, muitas vezes só é lembrada nos momentos de crise para “apagar” os incêndios resultantes de derrotas ou é lembrada somente no momento da decisão de um campeonato, como se pudessem solucionar todos os problemas num passe de mágica, na grande maioria das vezes é descartada ou então recomendada em momentos de desespero (op. cit.).

O trabalho do psicólogo em uma equipe de futebol permite ajudar o alcance do maior rendimento possível na hora da competição: isto é, potencializar e treinar atitudes psicológicas como a confiança, a concentração, a motivação e o manejo de pressões internas e externas. Juntamente com isso, também ajudar a coesão do grupo e melhorar a relação entre treinador e jogadores.

Apesar das dificuldades que a área ainda enfrenta, podemos fazer uma perspectiva positiva e acreditar em um mercado de trabalho promissor para o Psicológico do Esporte nas equipes de futebol (op. cit.).

Cabe então aos profissionais da área divulgar e mostrar os serviços aos clubes para que cada vez mais a profissão ganhe prestígio e outras equipes se interessem pelos serviços, valorizando cada vez mais a profissão e reconhecendo seus benefícios para o âmbito esportivo (op. cit.).

A CONTRIBUIÇÃO DO PSICÓLOGO DO ESPORTE NOS PROJETOS SOCIAIS

Os projetos envolvendo esporte têm apresentado um crescimento. Segundo Rubio (2000), o esporte hoje é considerado um dos maiores fenômenos sociais da modernidade e por mais que seja um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, seu acesso ainda é restrito, elitizado e pouco educativo para a formação da construção de indivíduos capazes de se relacionar de forma cidadã com o mundo que os cerca. Pois o esporte no Brasil reflete a situação do país de uma forma geral: que é marcada por injustiças, desigualdades e baixo investimento (MACHADO, 2007; SILVA, 2007).

A psicologia do esporte vai buscar formas de intervir junto a essa situação na construção de políticas públicas do esporte (que é de extrema importância e um campo carente no país), na gestão de projetos sociais esportivos e na capacitação e acompanhamento de educadores (op. cit.).

O psicólogo do esporte vai atuar em projetos sociais que utilizam o esporte como principal ferramenta no processo de educação para a cidadania na perspectiva de se formar uma nova sociedade. O profissional vai trabalhar com a subjetividade de cada criança buscando desenvolver noções de cooperação, mesmo em situações competitivas, disciplina, compromisso, trabalho em equipe, lidar com sensações de vitória e derrota, desenvolvimento psicomotor, além de um trabalho de orientação às famílias. Mas é necessário que haja um trabalho interdisciplinar para que se alcancem os resultados desejados (op. cit.).

Nesses programas, o esporte é articulado de ações educativas, com atividades que enfatizam a saúde, a arte e o apoio à escolarização. Vários projetos educativos interdisciplinares são apresentados às crianças visando à construção participativa orientada nos princípios da Educação pelo Esporte (op. cit.).

À parte social da Psicologia do Esporte, cabe fazer uma leitura crítica com a perspectiva de superar a visão simplista do esporte como via de ascensão social e formação de futuros atletas, pois o esporte surge como sendo a salvação para a pobreza e para marginalidade, e isso é um reflexo da propaganda ideológica veiculada pela mídia, associando o esporte a habilidade, dinheiro, fama e poder. Além disso, o que se tem notado em muitos projetos que envolvem esporte é que o foco é a especialização precoce, preparando crianças e adolescentes para a competição e visando a criação de talentos, sem grandes preocupações com aspectos afetivo-cognitivos que serão despertados por esta prática. Excluindo dessa forma os menos hábeis (op. cit.).

Cabe ao psicólogo do esporte mostrar que o esporte não tem apenas o caráter competitivo e especializado, o profissional tem a possibilidade de desenvolvê-lo como uma prática de cooperação e participação, permitindo, dessa maneira, o acesso aos poucos habilidosos, o que “poucos” muito habilidosos tem tido condição de usufruir (op. cit.).

Segundo Cagigal (1972), "o esporte será tanto mais educativo quanto mais conservar sua qualidade lúdica, sua espontaneidade seu poder de iniciativa" (p.42). Segundo Marques & Kuroda (2000) impregnar, ou não desvincular a prática esportiva do valor lúdico que o movimento tem para criança, pode ser o ponto de partida para a vivência prazerosa da criança com o esporte. (O lúdico faz parte da atividade humana e caracteriza-se por ser espontâneo, funcional e satisfatório. Na atividade lúdica não importa somente o resultado, mas a ação) (op. cit.).

As vivências no projeto esportivo demonstraram que esta intervenção educativa pode servir para as crianças como um ambiente promotor de saúde e das mais diversas habilidades, além de as manter longe das drogas e da violência. O esporte, principalmente a educação pelo esporte, pode agir transformando potenciais em competências para a vida daqueles que têm oportunidade de passarem por essa experiência (op. cit.).

Poucos psicólogos estão atuando nesses projetos, pois a maioria dos profissionais opta por trabalhar juntos aos esportes de alto rendimento e a Psicologia, enquanto profissão, ainda não possui esta como uma de suas bandeiras políticas. Então é de responsabilidade de nós futuros psicólogos, entrar nesse meio tão rico em possibilidades, mas carente de estudos aprofundados (op. cit.).

Com esse trabalho concluímos que é necessário principalmente um trabalho do psicólogo do esporte nas políticas públicas do esporte, que de início seria o tema deste trabalho, mas por ser uma área pouco explorada, o material para estudo é escasso. Esperamos que a área da Psicologia Social do Esporte ocupe o lugar que lhe é merecido, devido à sua grande importância (op. cit.).

A CONTRIBUIÇÃO DA FILOSOFIA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ATLETA

Para o atleta um corpo perfeito e uma mente rápida e eficaz são de uma importância fundamental. Alcançar resultados é o essencial, afinal são eles que trazem patrocínios e dinheiro para os dirigentes, essa é a questão do vencer a qualquer custo, vencer é tudo e mais um pouco. Muitos atletas convivem muito bem com essa situação de vencer sempre, com as cobranças do treinador, da família e da torcida. Mas muitos não convivem tão bem assim com as pressões sofridas. Com isso muitos entram em um conflito muito grande, em parar para pensar se isso é realmente o que querem, pois não se sentem felizes. Então muitos entram em depressão, se envolvem com drogas e tentam até o suicídio, por causa da enorme pressão por qual eles passam (CHAUI, 2003).

A filosofia então busca ajudar esses atletas a refletir e pensar sobre a vida e se é realmente essa vida de ser um atleta é o que querem. Por outro lado, ela contribui para o trabalho em equipe, buscando a evolução constante do atleta, visando à ética e a moral. Assim também, ela busca com que os atletas pensem em valores que irão criar dentro do esporte e serem vencedores não só dentro de campo, mais também na vida (op. cit.).

Com estas questões em mente, estabelecemos três regras básicas que deverão melhorar o trabalho em equipe:

1º - PRAZER: Se divertir em primeiro lugar;

2º - DETERMINAÇÃO: Se esforçar ao máximo e dar sempre o melhor de si;

3º - “FAIR PLAY”: Ter espírito esportivo e saber ganhar e perder com classe.

“E quanto a vencer, a melhor receita para conquistar vitórias é ter prazer no que se está fazendo e ter determinação para alcançar seus objetivos (op. cit.).

A RELAÇÃO DA PSICOLOGIA DO ESPORTE COM AS TEORIAS PSICOLÓGICAS

A psicologia do esporte vem compor um espectro denominado ciências do esporte, composta por disciplinas como antropologia, filosofia e sociologia do esporte, no que se refere à área sócio-cultural, incluindo também a medicina, fisiologia e biomecânica do esporte demonstrando uma tendência e uma necessidade a interdisciplinaridade (RUBIO, 1999).

Temas como motivação, personalidade, agressão e violência, liderança, dinâmica de grupo, bem estar psicológico, pensamentos e sentimentos dos atletas e vários outros aspectos da prática esportiva e da atividade física tem requerido estudo e atuação de profissionais da área visto que o nível técnico de atletas e equipes de alto rendimento esta cada vez mais equilibrado, sendo dada ênfase especial à preparação emocional, tida como o diferencial. Ainda que houvesse estudos no campo do comportamento humano relacionado à atividade física e ao esporte esses dois aspectos foram estudados durante muito tempo sob o título de psicologia do esporte, sem que houvesse definição exata do que fosse essa área de estudo e qual seu verdadeiro objetivo (op. cit.).

A psicologia do esporte, fornecendo os seguintes modelos: o especialista em psicodiagnóstico faz uso de instrumentos para avaliar potencial e deficiências em atletas; o conselheiro profissional que atua apoiando e intervindo junto ao atleta e a comissão técnica no sentido de lidar com questões coletivas ou individuais do grupo; o consultor busca avaliar estratégias e programas estabelecidas otimizando o rendimento, o contista produz e transmite o conhecimento da área e para a área, o analista avalia as condições do treinamento esportivo, fazendo a intermediação entre atletas e comissão técnica, otimizando com base uma avaliação do evento esportivo buscando organizar programas que aumentem o potencial de performance (op. cit.).

CAMPOS DE ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO DO ESPORTE

A atuação do psicólogo está cada vez mais pautada em um código de ética que é mais que conduta, porque nos fala de um espírito político envolvido na atuação profissional e da responsabilidade que o psicólogo tem com o desenvolvimento da cidadania dos sujeitos e com a promoção da saúde (LUCCAS, 2000 apud RUBIO, 2007).

Mesmo sendo associada a uma perspectiva competitiva desde o seu princípio, a Psicologia do Esporte vem conquistando espaço e força em outros contextos como os projetos sociais, a reabilitação, a iniciação esportiva, esporte escolar, esporte de alto rendimento, os programas de qualidade de vida (esporte recreativo) e a medicina preventiva (RUBIO, 2007).

Os principais campos de atuação do psicólogo e sua função:

· No esporte de rendimento se busca a otimização da performance numa estrutura formal e institucionalizada (RUBIO, 1999).

· No esporte escolar tem por objetivo a formação, norteada por princípios sócio-educativos, preparando para a cidadania e para o lazer (op. cit.).

· No esporte recreativo visa o bem-estar e qualidade de vida para todas as pessoas, de todas as idades (op. cit.).

· No esporte de reabilitação desenvolve um trabalho voltado para a prevenção e intervenção em pessoas portadoras de algum tipo de lesão decorrente da prática esportiva, ou não, e também com pessoas portadoras de deficiência física ou mental (op. cit.).

· E outro campo que vem crescendo e ganhando espaço é em projetos sociais, onde cabe ao psicólogo do esporte fazer uma leitura crítica com a perspectiva de superar a visão simplista do esporte como via de ascensão social e formação de futuros atletas (SILVA, 2007).

A HISTÓRIA DA PSICOLOGIA DO ESPORTE NO BRASIL E NO MUNDO

Considerada pelos iniciantes como um produto dos anos 1980, a psicologia do esporte tem sua história escrita a partir do início do século XX, na Rússia e nos Estados Unidos, e mais precisamente a partir da Copa do Mundo de Futebol de 1958, para o Brasil (RUBIO, 2007).

Muitos estudos e trabalhos que foram produzidos enfocam, basicamente, a psicoterapia para determinação de perfis psicológicos, na busca da relação entre tipo ideal e modalidade de posição na equipe, de ainda tipos de intervenção cujo objetivo é a busca da vitória. A psicologia do esporte no Brasil teve seu marco inicial através da atuação e estudos de João Carvalhaes, profissional com grande experiência, chamado para atuar junto ao São Paulo Futebol Clube (op. cit.).

Há algumas décadas a psicologia do esporte no Brasil vem se desenvolvendo, mas foi a partir da resolução 014/00, do CFP que foi considerada como especialidade. O desenvolvimento da psicologia do esporte no Brasil partiu de uma avaliação única que se refere à avaliação e construção do uso de técnicas de intervenção para o aumento esportivo, visando também o bem estar pessoal do atleta (op. cit.).

A psicologia do esporte brasileiro ainda busca sua maturidade, é na pratica da intervenção psicológica junto a atletas e equipes que se pode observar a multiplicidade de perspectivas e o seu vigor. A psicologia do esporte não se limita a atuar apenas junto a um restrito grupo (esporte de alto rendimento), visa também o esporte realizado por pessoas ou grupos que praticam exercício, que treinam regularmente para competições, mas com o objetivo de chegar até o final da prova ou superar a própria marca, e não necessariamente um adversário (op. cit.).